terça-feira, 17 de novembro de 2009

"Adotando uma experiência"

A minha história não relata, em especifico, um idoso ou a vida dele, mas relata a minha história e a de cada um dos alunos que tiveram essa experiência incrível.
Nos deparamos hoje com uma sociedade que apesar de democrática, ainda possui um certo preconceito quando o assunto é o jovem; eles não tem responsabilidade, levam tudo na brincadeira, não sabem tratar de assuntos sérios, etc; entendo que a culpa não é dos mais velhos, e sim nossa, e são essas experiências que mostram que isto está mudando e que estamos preocupados com o mundo.
Me recordo do dia em que soubemos da participação nesse projeto, houve uma grande alegria e uma espectativa maior ainda, porém ninguém esperava que seria assim, um aprendizando real, uma forma de entender a vida e de perceber as coisas simples que ela nos oferece.
Meus olhos se enchiam de brilho quando sentado naqueles bancos do Asilo, via jovens sem bloqueio algum fazendo um elo de amizade sincero com um ser humano que nunca, absolutamente nunca, poderíamos conhecer, e mesmo que pudéssemos conhecer, jamais poderíamos nos tornar amigos em um ambiente normal.
Eu resolvi não adotar nenhum idoso, eu adotei essa oportunidade, conversei com muitos desses "amigos-vovôs" e peguei para mim muitas experiências, assim como muitos também acho que absorveram. Eu sei que nada do que fizemos foi em vão, talvez você leitor possa não entender o que isso significou, mas eu quero que você entenda que foi tão especial ao ponto de saber que o coração de cada um, que naquele lugar adentrou, hoje não é o mesmo, passamos por alegrias, aprendizados, até mortes vimos de perto, vimos o brilho no olhar de cada vovô ao nos ver e isso ficará marcado, dentro de cada um, vimos os sorrisos no rosto ao conversar conosco e vimos o tchau, o doloroso tchau ao nos ver sair.
Aqueles valentes da vida, muitos abandonados, sózinhos, desgastados pela vida, mas nunca, nunca sem a esperança de que há um Deus sobre a terra que olha por eles ficarão guardados em nossa memória. As lágrimas lá derramadas escreveram essa história e foram o sinal de que tudo isso foi real.

"Geraldo Augusto Cardogna"

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